Pudores e (des)pudores


41 - Histórias que vivi. Como é bom relembrar!

Nos conhecemos no segundo grau, curso Magistério (famoso “espera marido”). Imaginem só, uma turma de mulheres todas em fase de descoberta, a sexualidade aflorando. Era uma festa! O primeiro namorado, o primeiro amasso, a primeira transa. Assunto não nos faltava pra hora do intervalo.

Mas no caso de nós três: Eu, Alessandra e Giovana, isso só aconteceu depois de terminarmos o curso. Parece até que foi combinado. Todas as outras já não eram virgens e nós nos mantivemos intactas até o final do quarto ano. Não tínhamos pressa.

Éramos muito apegadas. A Gi e a Alê só tinham irmãos homens e eu e minha irmã, além da diferença de quase cinco anos na idade, não tínhamos muita coisa em comum. Além do que ela não gostava muito das minhas amigas, acho que por ciúme.

Nosso ponto de encontro era a casa da Gi. Os pais dela eram como todas nós queríamos que fossem os nossos. A mãe era louca de pedra. Dizia pra gente tomar cuidado na hora de namorar:

-          Da cintura pra cima num pega nada! – ela repetia sempre.

Mas chamava a gente de galinhas. Até juntou aquelas galinhas azuis da Maggi (três) e dizia que era em homenagem a nós. E a galinha grandona, daquelas de guardar ovos, de arame, era ela própria. A galinha “véia”, como costumava dizer de si.

Ela liberava o carro pra gente passear apenas pelo bairro, pois não tínhamos habilitação.

A Gi conduzia, claro, a Brasília vinho. Ela parava nos faróis a uma distância de pelo menos três metros do carro da frente. Nós ríamos tanto daquele medo. Afinal, ela tinha que parecer responsável e ninguém podia desconfiar que não tinha licença pra dirigir. Por que a gente não respeitava o perímetro permitido e íamos tomar lanche no Drive Thru do McDonalds no Shopping Matarazzo. Bem longe do Bairro do Limão, onde ela morava. A gente queria parecer independente, mulheres donas do próprio nariz.

Engraçado que a Giovana, tendo os pais liberais, era a mais tímida das três. Meus pais e os da Alê eram mais sérios e meio caretas, até.

Terminado o último ano, a maioria das meninas já namorava há muito tempo e estavam pra casar. Daí a fama do curso pra esperar marido.

Mas nós três continuávamos juntas. Namorando, mas nunca deixando que o namoro atrapalhasse nossa amizade. Na verdade, quem namorava sério era só a Giovana. Eu tinha terminado um namoro, desses pra casar, e continuava procurando um namorado. A Alessandra nunca tinha namorado mais que seis meses. Mas também, não pensava em casar.

Lembro-me que a Gi era tão encanada com papo de gravidez que todo mês ligava pra gente dizendo que tinha atrasado. E era sempre alarme falso. E a gente se divertia com aquele sobrinho que só ameaçava de chegar.

A Gi foi dar aulas e eu e a Ale fomos pra faculdade. Até na hora de prestar vestibular fomos uma na onda da outra. Eu queria Jornalismo na Cásper Líbero, então a Ale prestou pra Relações Públicas só pra me dar uma força. Ela queria Psicologia na PUC. Fui fazer a inscrição com ela também me empolguei e me inscrevi.

Ela entrou na Cásper e eu fui fazer Pedagogia na PUC. Depois de um ano também prestei pra Relações Públicas. Cursei três anos.

Enfim, a Ale formou-se em Relações Públicas e eu até hoje não me formei em nada!

Creio que a Giovana esteja casada com o Roger, seu primeiro namorado. Até hoje não sei se o sobrinho finalmente vingou.

A Ale eu encontrei há pouco tempo no Orkut, e pelo que vi ainda mora com os pais, mesmo tendo conquistado sua independência financeira.

E eu? Eu to aqui, lembrando as nossas aventuras.

E isso é o que faz a vida ter sentido. As histórias que fizemos e as que faremos.

Um beijo pra todos.



Escrito por Drica às 23h45
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40 - Para Andresa

Quando perdemos alguém que amamos sempre procuramos motivos, culpados (geralmente Deus), e questionamos a morte. E sempre ficamos sem repostas. Se a morte é a única certeza absoluta que temos em vida, acaba por ser inquestionável.

Eu não queria falar de tristezas, mas hoje não há como escapar à lembrança dela.

Ela possuía uma personalidade forte, uma revolta dentro de si por conta do abandono que sofremos na infância. Abandono que se transformou em ódio ao longo de sua vida. E então ela buscou a morte. Foi a sua maneira de protestar contra este mundo cruel para o qual a trouxeram, mas não lhe deram estrutura para enfrenta-lo. Não digo pelo meu pai, ou minha madrasta, que de tudo fizeram para nos suprir a falta da mãe biológica. Mas ela não suportou o descaso e não conseguiu perdoar. Ela odiava tanto nossa mãe. Deus, como eu tentei aproxima-las. Não que eu ame de paixão àquela mulher, mas tenho pena dela. Queria que ela se sentisse mais confortável talvez, tendo as filhas por perto, nem que fosse como parentes distantes que é como eu a vejo.

Nossa relação (eu e minha irmã) era muito debilitada por conta da fragilidade que ela me atribuía. Mas eu a amava e ela, à sua maneira, também me amava. No fim de sua vida, em seus últimos dias, nos aproximamos como nunca, e isso a fez confiar mais em mim. E perceber que eu podia ser forte. E perdoar nossa mãe, pelo menos para morrer em paz.

Mas, mesmo assim, eu não teria a coragem que ela teve de enfrentar tudo aquilo sozinha.

A doença foi apenas a desculpa que encontrou para justificar sua decisão.

Hoje faz dois anos que ela se foi.

Para Andresa, minha querida irmã, que preferiu deixar este mundo tendo lá suas razões.



Escrito por Drica às 01h31
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39 - Vamos viver uma semana diferente!!

Nesta semana, ao levantar-se, deixe a cama por fazer...

Sai à rua sorrindo...

Pisque o olho para alguém que esteja de cara feia!!

Tome banhos bem gostosos... com musiquinha e tudo...

Faça sexo com criatividade! 

Leve as coisas na base do bom humor!!

Esqueça os problemas, a pretensa idade!!

Sem dúvida, o rosto reflete o que se sente na alma.

E a atitude, mais do que a idade que se tem, é o que conta. 

 E TENHAM UMA SEMANA MARAVILHOSA!!

SMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAACK

"A maior parte das pessoas é tão feliz quanto resolve ser"
(Abraham Lincoln)



Escrito por Drica às 16h52
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